Em artigo, Marcos Françóia comenta que casos como do GPA e Raízen, não são exclusivos de grandes grupos empresariais.
Quando empresas gigantes pedem socorro
Por Marcos Françóia
Nos últimos dias, duas notícias chamaram a atenção do mercado: a Raízen protocolou um pedido de recuperação extrajudicial envolvendo mais de R$ 65 bilhões em dívidas, enquanto o GPA iniciou um processo semelhante para renegociar cerca de R$ 4,5 bilhões.
Quando empresas desse porte aparecem associadas a processos de reestruturação, a reação natural é de surpresa. Mas crises empresariais raramente surgem de um único evento.
Antes disso, quase sempre existe um acúmulo silencioso de decisões: decisões tomadas sob pressão, decisões adiadas por tempo demais e escolhas que pareciam pequenas quando foram feitas.
Com o tempo, esses fatores se acumulam. A dívida cresce, o caixa aperta e a flexibilidade estratégica diminui.
Costumo dizer que a crise raramente chega de forma repentina: primeiro ela sussurra, depois ela grita, e por fim ela berra.
Processos como a recuperação extrajudicial não significam necessariamente o fim de uma empresa. Em muitos casos, representam justamente o contrário: o reconhecimento de que a estrutura precisa ser reorganizada antes que a situação se torne irreversível.
Nos negócios, a diferença entre uma crise terminal e uma reestruturação bem conduzida muitas vezes está em uma única decisão: reconhecer a realidade a tempo de agir.
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